0Lhos de CLi0
terça-feira, 10 de maio de 2011
sábado, 11 de abril de 2009
Bom... o cão tem que um mínimo de interesse por cheirar coisas...
Forma 1 - para diversão: comece pegando um petisco tipo bifinho, mostre a ele, leve o petisco até o chão e vá "riscando" o chão com ele, fazendo com que o cão te siga com o focinho no chão. Ao final de uma pequena reta abra a mão e dê o petisco.
Com o passar dos dias vá aumentando o percurso e introduzindo curvas.
Quando ele estiver craque, passe a deixá-lo no SENTA_FICA (pré requisitos do treino) e faça uma pequena reta com ele olhando. Chame-o, coloque-o no começo de onde vc fez o "risco" e diga PROCURA, PROCURA... estimulando. As primeiras vezes ele tende a ir direto ao petisco (ele te viu). OK.
Quando ele entender que PROCURA é essa brincadeira, passe a sair das vistas dele antes de deixar o petisco no final da trilha, fazendo uma curva e colocando o petisco na entrada de um quarto, por exemplo. O local das primeiras vezes tem que ser bem fácil, para que ele entenda o que vc quer. Se ele se perder no caminho pegue-o, leve-o até um ponto de onde vc "riscou" o chão e estimule-o a cheirar o local e seguir as trilhas.
Apenas quando ele entender que tem qeu cheirar o chão para achar é que vc vai dificultando o percurso, escondendo o petisco, fazendo percuros sem a trilha total (passe apenas em uns pedaços do caminho).
Método 2 - diversão e/ou provas.
Quebre um bifinho ou salsinhas em pedaços BEM pequenos. Faça uma trilha com eles colocando um maiorzinho (recompensa) no final. Use o SENTA_FICA e VEM_PROCURA colocando-o no início da trilha.
Vá espaçando os petiscos até ficar com alguns centímetros. A partir daqui vc só consegue trabalhar em campos não pisados, como grama pela manhã. Isso para que o cheiro dos seus passos seja a trilha e não o petisco.
Vá afastando cada vez mais os petiscos, marcando a trilha apenas com seus passos.
Quando estiver com alguns metros, use o truque dos petiscos seguidos para fazer a primeira curva.
Vá aumentando o espaçamento dos petiscos pós-curva (dessa vez dá para ir bem mais rápido).
Cuidado para não fazer duas trilhas no mesmo dia, uma se sobrepondo a outra (use espaços não pisados). Ele só conseguirá desembaraçar várias trilhas com bastante tempo de treino...
Aumente para duas curvas (dessa vez é ainda mais rápido e a partir daqui pode fazer mais curvas sem o truque dos petiscos juntos).
Quando ele estiver craque, passe a marcar apenas os pontos de "virada" com petiscos e depois passe a marcar apenas o final da trilha.
Nesses casos o cão deve ir pelo seu cheiro e não pelo cheiro do petisco, por isso a trilha não é "riscada".
Por fim, pode aumentar as exigências, misturando trilhas, passando por água, jogando café ou perfume em algumas partes.
Se o cão for treinado para buscar objetos ou pessoas, passe a trocar o petisco final pelo objeto e ensinar a latir para avisar que terminou (e aí ganhar a recompensa do petisco...)
SEMPRE tem que ter o pagamento do serviço (por isso cães farejadores de drogas são tão empolgados)...
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Alphonsus de Guimaraens
Quando Ismalia enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Este não foi um início de conversa animador. Alice respondeu, um tanto timidamente, ‘Eu mal sei, senhora, neste momento – pelo menos eu sei quem eu ERA quando acordei essa manhã, mas penso que devo ter mudado muitas vezes desde então.’
‘O que você quer dizer com isso?’ disse a Lagarta, ‘explique-se’
‘Receio que não possa me explicar, senhora,’ disse Alice, ‘pois não sou eu mesma, você entende?’
‘Eu não entendo’ disse a Lagarta
‘Receio que não consiga ser mais clara’, respondeu Alice, ‘pra começar, eu mesma não entendo; e ter tamanhos diferentes em um mesmo dia é muito confuso’.
‘Não é não’ disse a Lagarta
‘Bom, talvez você não tenha passado por isso ainda’, disse Alice, ‘mas quando você tiver que entrar no casulo – você terá que fazer isso, sabia – e então se transformar em uma borboleta, você se sentirá estranha, não acha?
‘Nem um pouco’ disse a Lagarta
‘Bem, talvez seus sentimentos sejam diferentes’, disse Alice, ‘só sei que isso tudo é muito estranho para mim.’
‘Você!’ disse a Lagarta desdenhosamente. ‘Quem é você?’
CARROLL, Lewis. Alice in wonderland. 1865.
(tradução da tia)
segunda-feira, 28 de abril de 2008
(caetano - é proibido proibir – discurso)
:
“Que juventude é essa?
Voces jamais conterão ninguém.
Voces são iguais sabe a quem?
Vocês são iguais sabe a quem?
Tem som no microfone?
Vocês são iguais sabe a quem?
Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores.
Voces não diferem em nada deles... não diferem em nada.
E por falar nisso, viva Cacilda Becker!”
Diálogo ( Caio F.)
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro.
B: O que é que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro, Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: Não é disso que estou falando.
A: Você está falando do quê, então?
B: Estou falando disso que você falou agora.
A: Ah, sei. Que eu sou teu companheiro.
B: Não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: Que você é meu companheiro?
B: Não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: Atrás do companheiro?
B: É.
A: Não.
B: Você não sente?
A: Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja isso assim?
B: Não é que eu não queira: é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro.
B: Ser teu companheiro?
A: É.
B: Companheiro?
A: Sim.
B: Eu não sei. Por favor não me confunda. No começo era claro. Tem alguma coisa atrás, voc~e não vê?
A: eu vejo. Eu quero.
B: O quê?
A: Que você seja meu companheiro.
B: Hein?
A: Eu quero que você seja meu companheiro, eu disse.
B: O quê?
A: Eu disse que eu quero que você seja meu companheiro.
B: Você disse?
A: Eu disse?
B: Não, não foi assim: eu disse.
A: O quê?
B: Você é meu companheiro.
A: Hein?
(ad infinitum)
quarta-feira, 12 de março de 2008
Ovo (LFV)
Agora essa. Descobriram que ovo, afinal, não faz mal. Durante anos, nos aterrorizaram. Ovos eram bombas de colesterol. Não eram apenas desaconselháveis, eram mortais. Você podia calcular em dias o tempo de vida perdido cada vez que comia uma gema.
Cardíacos deviam desviar o olhar se um ovo fosse servido num prato vizinho: ver ovo fazia mal. E agora estão dizendo que foi tudo um engano, o ovo é inofensivo. O ovo é incapaz de matar uma mosca.
Sei não, mas me devem algum tipo de indenização. Não se renuncia a pouca coisa quando se renuncia ao ovo frito. Dizem que a única coisa melhor do que ovo frito é sexo. A comparação é difícil. Não existe nada no sexo comparável a uma gema deixada intacta em cima do arroz depois que a clara foi comida, esperando o momento de prazer supremo quando o garfo romperá a fina membrana que a separa do êxtase e ela se desmanchará, sim, se desmanchará, e o líquido quente e viscoso escorrerá e se espalhará pelo arroz como as gazelas douradas entre os lírios de Gileade nos cantares de Salomão, sim, e você levará o arroz à boca e o saboreará até o último grão molhado, sim, e depois ainda limpará o prato com pão. Ou existe e eu é que tenho andado na turma errada. O fato é que quero ser ressarcido de todos os ovos fritos que não comi nestes anos de medo inútil. E os ovos mexidos, e os ovos quentes, e as omeletes babadas, e os toucinhos do céu, e, meu Deus, os fios de ovos. Os fios de ovos que não comi para não morrer dariam várias voltas no globo. Quem os trará de volta? E pensar que cheguei a experimentar ovo artificial, uma pálida paródia de ovo que, esta sim, deve ter me roubado algumas horas de vida a cada garfada infeliz. Ovo frito na manteiga! O rendado marrom das bordas tostadas da clara, o amarelo provençal da gema... Eu sei, eu sei. Manteiga ainda não foi liberada. Mas é só uma questão de tempo.