‘Quem é você?’ disse a Lagarta
Este não foi um início de conversa animador. Alice respondeu, um tanto timidamente, ‘Eu mal sei, senhora, neste momento – pelo menos eu sei quem eu ERA quando acordei essa manhã, mas penso que devo ter mudado muitas vezes desde então.’
‘O que você quer dizer com isso?’ disse a Lagarta, ‘explique-se’
‘Receio que não possa me explicar, senhora,’ disse Alice, ‘pois não sou eu mesma, você entende?’
‘Eu não entendo’ disse a Lagarta
‘Receio que não consiga ser mais clara’, respondeu Alice, ‘pra começar, eu mesma não entendo; e ter tamanhos diferentes em um mesmo dia é muito confuso’.
‘Não é não’ disse a Lagarta
‘Bom, talvez você não tenha passado por isso ainda’, disse Alice, ‘mas quando você tiver que entrar no casulo – você terá que fazer isso, sabia – e então se transformar em uma borboleta, você se sentirá estranha, não acha?
‘Nem um pouco’ disse a Lagarta
‘Bem, talvez seus sentimentos sejam diferentes’, disse Alice, ‘só sei que isso tudo é muito estranho para mim.’
‘Você!’ disse a Lagarta desdenhosamente. ‘Quem é você?’
CARROLL, Lewis. Alice in wonderland. 1865.
(tradução da tia)